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terça-feira, 7 de agosto de 2007

Características ideais do animal leiteiro


Equipe de Bovinocultura de Leite/FZEA-USP

Características exteriores do bovino de leite:

O tipo ideal pode ser definido como uma norma de perfeição que combina as características físicas que contribuem para a utilização de um animal para o propósito específico.

As diferentes partes exteriores da vaca leiteira recebem denominações especificas. Para facilitar a avaliação do animal, considerando-se que o ponto de partida é o tipo ideal, agrupa-se diversas partes em grandes regiões, as quais são:

- aparência geral;
- temperamento leiteiro;
- capacidade corporal;
- sistema mamário.

Desta forma podemos avaliar as diferentes regiões as quais devem apresentar as seguintes características:

- o animal leiteiro deve ter a pele solta (flácida);
- o animal leiteiro não deve ter acúmulo de gordura no peito, dorso e anca;
- quando a vaca estiver seca o úbere deve estar pregueado (indica capacidade produtiva);

Deve revelar o aspecto de "feminilidade" da vaca leiteira e as partes que compõem são:

Características da raça que devem ser consideradas

Cor

Dentro dos padrões da raça. Ex.: no caso da vaca holandesa, deve apresentar manchas brancas e pretas claramente definidas;

Tamanho

Atingir o tamanho médio da raça. Ex: vaca holandesa em produção deve pesar aproximadamente 600Kg de peso vivo (PV);

Chifres

Não discriminação por ausência;

Cabeça

Bem constituída, proporcional ao corpo, narinas amplas, olhar vivo;

Paletas

Fortemente unidas

Dorso

Reto e forte, com lombo amplo;

Anca

Larga e bem modelada, sem excesso de gordura, quase nivelada, implante da cauda suave e nivelada com a linha dorsal;

Pernas e cascos

Osso plano e forte, de quartela pequena e forte com jarrete modelado, apresentando curvatura natural, cascos redondos com talão profundo.

Pescoço

Largo, descarnado e unido suavemente ao tórax; garganta, papada e peito descarnados.

Cernelha

Aguda, costelas bem separadas com osso amplo, plano e profundo formando um aspecto de "cunha" com o tórax do animal.

Flanco

Profundo e refinado, formando um aspecto de "cunha" com o corpo do animal, tendo como base à cabeça.

Nádegas

Bem separadas e descarnadas, deixando espaço suficiente para o úbere e seus ligamentos.

Capacidade corporal

Relativamente grande em proporção ao tamanho do animal, as partes que se compõe são:

Costado

Forte, largo e profundo, apresentando costelas arqueadas.

Ventre

Amplo.

Tórax

Grande e profundo, com peito amplo.

Sistema Mamário

Úbere fortemente implantado, bem balanceado, de grande capacidade e boa textura, indicador de alta produção e grande vida útil, as partes que o compõe são:

Úbere

Simétrico de longitude, amplitude e profundidade moderada, fortemente aderido, reduzindo após ordenha; quando a vaca estiver seca o úbere deve estar pregueado.

Quarto dianteiro

De comprimento moderado, amplitude uniforme desde a frente até atrás e fortemente aderido.

Quarto traseiro

Alto, amplo e ligeiramente arredondado, com boa uniformidade desde cima até a base e fortemente aderida.

Tetas

Tamanho uniforme, com aproximadamente 10cm, de longitude e diâmetro mediano, cilíndricos, bem separados, apresentando um aspecto de "quatro pés de uma mesa de bilhar".

Veias mamárias

Grandes, largas, tortuosas e ramificadas.

Fisiologia da reprodução


Equipe de Bovinocultura de Leite/FZEA-USP

No macho

O testículo apresenta duas funções específicas: espermatogênica e endócrina.

Espermatogênese

É a produção de espermatozóides; ela ocorre nos testículos, que são as gônadas masculinas.

- A espermatogênese nos bovinos demora 65 dias para ocorrer

- A temperatura normal da espermatogênese é de 2°C a menos que a temperatura da cavidae abdominal que é de aproximadamente 39°C, variando de acordo com as raças.

- O plexo pampiliforme é um emaranhado de vasos sangüíneos que promovem o resfriamento da bolsa escrotal.

- A produção diária de espermatozóides no touro adulto é da ordem de 12 a 14 bilhões.

Hormônios

- FSH (hormônio folículo estimulante): atua no tubo seminífero, promovendo a espermatogênese; - LH (hormônio luteinizante): atua nas células de Leyding, produzindo a testosterona, hormônio masculino responsável pela libido (desejo sexual) e pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias masculinas, como o desenvolvimento da musculatura (hipertrofia), formação dos pelos, tom do mugido, etc.

Na fêmea

O ovário é a gônada sexual feminina, também apresenta duas funções: ovogênica e endócrina.

Cio ou estro

A fêmea exterioriza a fertilidade através do cio ou estro, que são modificações psicossomáticas no animal, detectadas pela aceitação do macho

O Ciclo compreende o inicio de um estro até o inicio do estro seguinte, sendo no caso da vaca igual há 21 dias.

O estro tem duração média de 14 a 18 horas, sendo a ovulação 12 a 14 horas após o termino do estro.

Hormônios

Controle hormonal: a glândula hipófise libera o hormônio FSH, o qual atua no ovário promovendo o desenvolvimento do folículo e a produção do hormônio estrogênio, sob o efeito do estrogênio a vaca manifesta o cio e a hipófise libera o hormônio LH, o qual promove o rompimento do folículo (ovulação), na parede do ovário, onde ocorre a ovulação forma-se o corpo lúteo, responsável pela produção do hormônio progesterona. Havendo a concepção, há o desenvolvimento da gestação e posterior parição. Não havendo a concepção, o corpo lúteo regride, iniciando um novo ciclo.

- O hormônio estrogênio é responsável pelas características sexuais secundárias femininas (maturidade sexual).

- O hormônio progesterona é responsável pela manutenção da gestação.

Fecundação

A fecundação ocorre no terço superior do oviduto; se a mesma não ocorrer até 6 horas após a ovulação, o óvulo é envolto por uma camada lipóide, impedindo a concepção. O ovo caminha do oviduto para o corno uterino, onde ocorrerá a nidação, que é a fixação do mesmo na carúncula uterina para o desenvolvimento do feto.

Gestação

- A gestação tem duração de 9 meses.

- A placenta se desenvolve na sua totalidade nos primeiros meses da gestação, sendo que o animal tem 2/3 do seu desenvolvimento no terço final da gestação. As exigências de nutrição do animal são somente acrescidas no terço final da gestação, onde ocorre desenvolvimento significativo do feto.

As funções da placenta

- Proteção do feto contra órgãos vizinhos (rúmen);
- Possibilita o desenvolvimento do feto;
- Nutrição do feto;
- Capta e elimina os resíduos metabólicos;
- Produção de progesterona;
- Função hormonal: a partir do 7º - 8º mês de gestação a placenta consegue produzir quantidade suficiente de progesterona para manter a gestação.

Parto

É a expulsão do feto após ele atingir o seu desenvolvimento animal; iniciando se o parto, o qual leva normalmente cerca de duas horas; nascimento com as patas dianteiras na frente com a cabeça repousando sobre elas.

Importante: Próximo ao parto deve ser feito apalpação, para verificar a posição do bezerro, que deve ser com cabeça e patas juntas. Ele sugará o seu dedo.

Hormônios que atuam no parto

- Ovariano (Relaxina): promove a abertura da pélvis;
- Hipofisário (Ocitocina): contração da musculatura do útero, promovendo a expulsão do feto.
- Quando o feto sai, nem sempre a placenta sai junto. De um modo geral, a expulsão da placenta é considerada normal se ocorrer até 6 horas pós-parto.
- Após o parto, a vaca entra num período fisiológico chamado puerpério, que é o período de involução do útero e regeneração das carúnculas uterinas. Caso a placenta não seja expulsa até 12 horas, pós-parto, caracteriza-se retenção de placenta, a qual pode levar o aparecimento de uma metrite na vaca, que é o processo de inflamação do útero, cuja mesma, pode levar a esterilidade. A metrite ocorre quando há partos distócicos, ou seja, partos difíceis em que a vaca não consegue parir sozinha; o parto distócico geralmente ocasiona retenção de placenta. Para o tratamento da metrite, consulte um veterinário.

- Logo após o nascimento do bezerro a vaca entra em lactação.

Manejo de novilhas


Equipe de Bovinocultura de Leite/FZEA-USP

O sistema de criação de bezerras deve ter como objetivo colocar a novilha no ponto de reprodução o que deve acontecer quando elas apresentam pesos mínimos de 300 Kg nas raças grandes e 250 Kg nas pequenas.

Essa proposição é feita porque se admite que os animais deverão apresentar por ocasião do parto, pesos superiores a 500 Kg nas raças de maior porte, e 400 Kg nas consideradas pequenas. Com isso, as novilhas de primeira cria mostrarão menos propensão a partos distócicos e terão condições de enfrentar a lactação sem desgaste físico acentuado, características dos animais que apresentam crescimento reduzido. Sob o ponto de vista técnico, o peso, e não a idade, deve ser o fator a ser observado na reprodução de novilhas leiteiras.

Quando se analisam sistemas de criação de bezerras deve atentar para o fato de que, na época da puberdade, quando ocorre o primeiro cio (200 a 240 Kg nas raças grandes e 150 a 200 Kg nas pequenas) o ganho de peso não deve ultrapassar 750 g/dia, pois trabalhos têm demonstrado que ganhos mais acelerados nessa fase são capazes de prejudicar o desempenho futuro das novilhas. Essas pesquisas têm revelado redução na produção de leite de cerca de 20%, sendo o efeito permanente. Assim sendo é aconselhável a programação de ganho mensal máximo de 22Kg/na/mês, como garantia na fase anterior à entrada na reprodução.

As vantagens do crescimento acelerado de novilhas podem ser facilmente demonstradas quando a produção na primeira lactação for suficientemente elevada para pagar qualquer investimento adicional a ser feito com alimentação. Quando existe utilização de touros provados, pode-se esperar cerca que 2/3 das novilhas produzidas serão de boa qualidade, e assim, os sistemas mais intensificados podem ser adotados.

O crescimento das bezerras depende basicamente da nutrição e deve-se considerar que nas raças leiteiras os animais são precoces, ou seja, amadurecem sexualmente cedo, e são capazes de apresentar crescimento rápido em curto período de tempo.

Quando tem que responder por uma parcela considerável das exigências diárias das novilhas, o volumoso pode se tornar um fator limitante ao processo de crescimento se sua composição não for favorável. Não se obtém crescimento rápido das novilhas através do uso de forragens de alta qualidade. O volumoso deve apresentar de 60-75% de NDT, 10-13% de Pb, de 0,3-0,65% Ca e de 0,22-0,32% P para ser utilizado sozinhos na criação de bezerras. Quando se faz a introdução de concentrados, toma-se fácil atender as exigências dos animais porque a composição teórica do volumoso passa a ser mais fácil de ser atendida na prática deve-se dar ênfase ao fato de que volumosos de qualidade muito baixa são consumidos em quantidades reduzidas e que é de grande importância garantir o consumo de matéria seca especificado. O fornecimento de concentrado deve ser encarado como importante sob o ponto de vista de fornecimento de energia e proteína e sobretudo de minerais. Sabe-se que os bovinos não sabem como, quando ou porque devem consumir misturas minerais, pois, trabalhos de pesquisas têm demonstrado que a ingestão no cocho não segue um padrão regular.

Assim sendo, não se pode depender desse tipo de fornecimento para o atendimento de exigências mais elevadas principalmente quando mantidas em pastagens estabelecidas em terrenos de baixa fertilidade.

A utilização de forragens cultivadas em terrenos de alta fertilidade pode contribuir decisivamente para a obtenção de ritmos de crescimento mais acelerado.

Trabalhos de pesquisas em nosso meio tem mostrado a possibilidade de se obter com forragens tropicais teores na matéria seca de 0,25-0,40% de P e de 0,30 a 0,60% Ca. Por outro lado, havendo controle do crescimento das plantas bem adubadas é viável a obtenção do volumoso contendo de 10 - 13% Pb e de 58-65% NDT na matéria seca. O uso de fertilizantes e a adoção de manejo adequado podem contribuir para promover uma redução considerável no uso de alimentos concentrados.

Manejo de vacas secas




Equipe de Bovinocultura de Leite/FZEA-USP




Com a busca de um aumento na produção leiteira, tem-se motivado a procura de animais provados e com um alto potencial de produção. No entanto outros fatores altamente decisivos acompanham o mérito genético do rebanho, tais como nutrição e manejo.

Uma das melhores maneiras é a adoção correta das técnicas alimentares especificas para cada fase do processo produtivo, dentre estas, as vacas secas, que por não estarem em lactação não aumentam diretamente o lucro líquido da propriedade e são às vezes, esquecidas pelos produtores.

O programa das vacas secas inicia o próximo ciclo da lactação, exercendo uma grande influência na ocorrência de desordens metabólicas (cetose, deslocamento de abomaso, síndrome da vaca gorda e febre do leite), na mudança da condição corporal, no fornecimento de nutrientes necessários ao rápido crescimento do feto e na otimização da reprodução na próxima lactação.

O período seco deve durar 60 dias a fim de permitir uma boa regeneração das células epiteliais desgastadas, um bom acúmulo de colostro e assegurar um bom desenvolvimento do feto, bem como completar as reservas corporais, caso estas ainda não tenham ocorrido.

Desta forma, as vacas, no período seco, devem ser agrupadas em dois grupos distintos:

O primeiro grupo abrange todos os animais que iniciam o período de repouso, que vai da primeira a quinta ou sexta semana, enquanto que o segundo grupo abrange os animais nas duas ou três últimas semanas que antecedem o parto. Uma das maiores razões que explica a necessidade à vantagem de se ter dois grupos diferentes para as vacas sêcas, é a de que se deve levar em conta a diminuição do consumo entre os dois grupos.

Deste modo, no início do período seco os animais podem ser alimentados com uma pastagem de boa qualidade, feno, silagem e ou a combinação destes, no entanto, no final do período seco onde ocorre um grande aumento no crescimento fetal, existe uma elevação da pressão interna nos órgãos digestivos, diminuindo desta forma o espaço ocupado pelos alimentos este fato, associado com a grande variação hormonal no período pré-parto, ou seja, um aumento nas concentrações sanguíneas de estrógeno e corticóides e uma queda nas concentrações de progesterona, reduzem o consumo de matéria seca em até 30%, predispondo o animal a um balanço energético negativo, com isso aumentam o catabolismo de gordura elevando as concentrações de ácidos graxos não esterificados na circulação, onde serão posteriormente acumulados no fígado podendo causar problemas metabólicos e diminuindo a posterior produção leiteira.

Uma das medidas básicas a ser tomadas é a elevação da densidade energética da dieta final do período seco (aproximadamente 21 dias antes do parto), aumentando conseqüentemente a relação concentrado/volumoso, compensando desta forma a redução do consumo de alimentos.

O aumento do consumo de concentrado, além de adaptar os microorganismos do rúmen a uma dieta rica em aminoácidos, favorece o desenvolvimento das papilas ruminais (pequenas projeções em forma de dedo na parede ruminal). O crescimento das papilas aumenta a superfície de contato do rúmen possibilitando uma maior absorção dos ácidos graxos voláteis, promove pequena variação no PH do rúmen e diminui o risco de acidose no início da lactação, onde grandes quantidades de grãos são introduzidas na dieta.

Todavia, são necessárias de quatro a cinco semanas para que o alongamento das papilas se complete.

Recentes pesquisas têm mostrado que o aumento no fornecimento de proteína na dieta pode ter um efeito benéfico, principalmente porque mantem as reservas protéicas do animal, diminuindo suscetibilidades às desordens metabólicas, mas não devemos esquecer de atender as exigências em proteínas não degradáveis no rúmen (3% de farinha de sangue), vitaminas, minerais e outros aditivos são bastante úteis na alimentação das vacas secas.

A Niacina pode prevenir cetose e manter o consumo de matéria seca, a recomendação atual é de 6 a 12g de Niacina/dia, iniciando vinte e um dias da data provável do parto até o trigésimo dia de lactação, principalmente para vacas de alta produção (> 32 Kg leite/dia) e vacas de primeira cria produzindo acima de 25 Kg/dia, bem como as vacas obesas. Assim como a niacina, o propilenoglicol pode ser fornecido em até 500 g/d, pois o mesmo é convertido em glicose no fígado, diminuindo a cetose e a formação do fígado gordo.

Devemos ainda considerar que a imunidade das vacas é menor no período pré-parto e no início da lactação, onde o aparelho reprodutivo se encontra aberto e as taxas de infecção e mastite são altas, com isso o fornecimento de vitamina E, Zinco, Cobre e Selênio pode ser benéfico evitando problemas como mastite e retenção de placenta.

No inicio da lactação, principalmente em vacas de alta produção, existe um elevado fluxo de cálcio para a glândula mamária, reduzindo o teor de cálcio sangüíneo e como conseqüência predispõe a vaca a hipocalcemia que afeta até 75% das vacas de alta produção. Níveis reduzidos de cálcio no sangue pode levar à retenção de placenta, involução uterina evolução intensiva ineficiente, diminuição na contração do músculo liso e um aumento na incidência de deslocamento do abomaso.

Desta forma, a utilização de sais aniônicos (sulfato de cálcio) pode evitar a hipocalcemia, aumentando a mobilização de cálcio nos ossos. No entanto, devemos ter cuidado, pois os sais aniônicos são impalatáveis podendo reduzir o consumo de alimento, desta forma a utilização de palatabilizantes podem ser necessárias.

Um outro ponto importante que deve ser levado em consideração é a condição corporal das vacas próximas ao parto. Para avaliação é adotados o método da condição corporal de 1 (muito magra) e 5 (muito gorda) sendo que para o parto o ideal é que a vaca apresente de 3,4 a 3,75. Inúmeras pesquisas, têm mostrado que as vacas supercondicionadas consomem menos alimento no pré-parto e no pósparto, apresentando uma alta incidência de problemas metabólicos, existindo alta correlação entre condição corporal no pré-parto e consumo de matéria seca no primeiro e vigésimo primeiro dia pós-pano. Desse modo, a obesidade pode ser tão prejudicial quanto à falta de condição corporal no momento do parto.

Secagem

Objetivos: proporcionar descanso à vaca afim de prepará-la para a próxima lactação. Consiste em interromper sua lactação. As razões da secagem se baseiam nos seguintes fatos:

- Vacas que parem, ainda dando leite, produzem bezerros fracos e não apresentam boas condições corporais no momento do parto;

- Boas condições corporais e sanitárias facilitam o parto e favorecem a produção de leite na próxima lactação;

- Proporciona tempo suficiente para regeneração dos tecidos secretores do leite (aproximadamente 60 dias);

- A secagem proporciona maior produção de colostro, essencial para sobrevivência da cria recém-nascida e maior resistência à mamite;

- Facilita o aparecimento do cio pós-parto em virtude das melhores condições corporais da vaca;

- Quando a vaca apresenta uma produção tão baixa que se torna antieconômica mantê-la em lactação. Nessa situação além da mão-de-obra gasta em seu manejo, há uma sobrecarga desnecessária na área de pasto das vacas em lactação, justamente daquelas que consomem mais alimentos.

Período = 60 dias antes do parto, se o motivo for à proximidade do parto. Quando não compensar economicamente, nos casos de baixa produção.

Procedimento

Consiste em alterar de uma só vez os principais fatores que influem na produção de leite, isto é, a alimentação e os estímulos psíquico-hormonais (presença do bezerro, das companheiras de rebanho e/ou presença à saia de ordenha, cheiro de ração e/ou silagem). Deve-se proceder da seguinte maneira:

- O primeiro cuidado é verificar no inicio da secagem se a vaca está com mamite. O diagnostico será feito com o uso de caneca telada, ou de fiando preto. Se o teste for negativo, a vaca estará apta ao processo de secagem; se for positivo, não se deve secar a vaca, mas tratar a mamite;

- Feito as recomendações acima, deve-se esgotar bem o úbere da vaca. Em seguida colocar em cada, um antibiótico de longa duração (próprio para vacas secas);

- Transferir o animal do local onde está acostumada a rotina da ordenha para um piquete ou pasto afastado do curral ou do estábulo. Este pasto deve ser pobre de capim, de modo a não permitir que a vaca se alimente bem. Não fornecer concentrado. Embora dispondo de pouco alimento, a vaca deve beber água à vontade;

- Não ordenhar mais, mesmo se o úbere encher de leite, este fato não ocasionará nenhum mal ao animal, pois o organismo da vaca absorverá o leite. Entretanto, deve-se observar diariamente, para ver se o úbere está avermelhado ou dolorido, coisa muito rara de acontecer. Na hipótese de o úbere estar inflamado, deverá ser feita nova ordenha e repetida aplicação de antibiótico;

- Decorridas duas semanas a vaca não mais produzirá leite e a secagem estará completa, quando então poderá ter uma alimentação normal - volumosa e concentrada - condizente com o período pré-parto.

Vacas leiteiras

A produção de leite por vaca continua aumentando 2 a 3% anualmente. O melhoramento genético responde por 33 a 40% deste crescimento, ao passo que a nutrição e o manejo perfazem os 60 a 67% restantes.

Os primeiros 60 dias após a parição são críticos para a saúde da vaca e para o sucesso econômico da lactação como um todo. Vacas recém-paridas enfrentam vários desafios que devem ser considerados e controlados, quais sejam:

- O pico da lactação geralmente ocorre 50 a 60 dias após o parto, determinando a curva da lactação;
- Para cada 1Kg de aumento de pico de produção, a lactação verifica um aumento de 0,200 a 0,225 Kg de leite.
- O déficit máximo de energia ocorre nas primeiras três semanas de lactação;
- Cerca de um terço a metade das vacas de alta produção apresentam cetose, podendo levar a síndrome do fígado gordo se não for controlada;
- Acidose ruminal é a desordem metabólica predominante em vacas pós-parto.
- Vacas com reprodução em bom funcionamento apresentarão o primeiro ciclo estral em 15 a 25 dias pós-parto;
- O "status" energético nas primeiras três semanas após o parto afeta os folículos que se desenvolverão 60 dias depois.

Consumo de matéria seca (MS)

Um programa de vacas secas adequado, dividido em duas fases distintas, permitirá a vacas secas que tenham uma transição bem sucedida do período seco para a lactação.

O consumo de MS é reduzido em 18% no início da lactação. Desse modo, a concentração de nutrientes deve ser corrigida para este potencial de consumo menor. Alguns fatores que podem melhorar o consumo de matéria seca devem ser implementados:

- O uso de rações completas irá maximizar o consumo de MS no início da lactação;
- A forragem deve ter valor superior a 1,32 Mcal de energia líquida/Kg Ms.
- A digestão ruminal deve ser maximizada através do balanceamento de proteínas degradáveis e carboidratos não estruturais, permitindo produções microbianas de ácidos graxos voláteis maiores, taxas ótimas de passagem do alimento e máxima produção de proteína microbiana;
- O PH e o ambiente ruminal devem ser favoráveis para o desempenho e crescimento microbiano;
- O manejo de alimentação deve proporcionar alimento á vontade, fresco e palatável, além de encorajar os animais a retomar freqüentemente para se alimentar especialmente durante condições de "stress" térmico (calor ou frio excessivo).

Considerações sobre a perda de peso

As vacas entram em balanço energético negativo após o parto uma vez que os requerimentos nutricionais para a produção de leite excedem o consumo de energia.

A perda de peso deve ser limitada a um máximo de 1Kg/d, resultando em um total de 1 a 1,5 escores na condição corporal (60 a 90 Kgs.), devendo o balanço energético positivo retornar 60 dias após o parto ou até antes. Fatores que auxiliam na manipulação da perda de peso são listados a seguir:

- As vacas não devem estar excessivamente pesadas (condição corporal - CC- acima de 4) o que reduz o apetite e o consumo de MS. Vacas magras (escore inferior a 3,0 em CC) não apresentam reservas energéticas suficientes. Um Kg de gordura corporal mobilizada pode gerar o equivalente a 7Kg de leite em energia.
- Vacas mobilizando peso corporal precisam de proteína adicional para equiparar a energia obtida pela perda de peso. Essa proteína deve ser proveniente de fontes não degradáveis no rúmen e com um perfil de aminoácidos bem balanceados.

Dinâmica ruminal

As papilas ruminais gradualmente se alongam a medida que dietas com maior quantidade de carboidratos fermentáveis são fornecidas. Os riscos de acidose ruminal são maiores se as mudanças na dieta forem muito bruscas, especialmente na vaca de primeira cria. Novamente, rações completas podem minimizar riscos Outras práticas tais como manter as porcentagens de fibra em detergente ácido (FDA) em níveis mais altos pelo fornecimento de 2-3 Kg de feno e reduzir o teor de carboidratos não estruturais (CNE) diminuem o acúmulo de ácidos no rúmen. Se o PH do rúmen estiver abaixo de 6, pode haver redução no crescimento microbiano, diminuição da digestão de fibra e na proporção de ácidos graxos voláteis produzidos. Acidose severa pode causar laminite e crescimento anormal do casco.

Utilização de aditivos

A Niacina pode prevenir cetose e manter o consumo de MS. A recomendação atual é fornecer 6 a 12g/d até que o pico de consumo ocorra (10-12 semanas após o parto). O custo-benficio deste aditivo é 4=1. Vacas candidatas incluem vacas secas obesas (CC > 3,0), vacas de alta produção (vacas adultas produzindo mais do que 35 Kgs de leite/dia e vacas de primeira cria acima de 25 Kgs/dia), vacas com tendência a ter cetose e vacas que perdem peso em excesso.

Tamponante são aditivos que mantém o PH ruminal entre 6,0 a 6,3. Bicarbonato de sódio é um produto comumente usado, sendo fornecido 120-250gr/vaca/dia. Óxido de magnésio não é um tamponante, mas, sim um alcalinizante (eleva o PH). A combinação de 2 a 3 partes de bicarbonato para a uma pane de óxido de magnésio é recomendada. A utilização de tamponantes deve ocorrer quando se tem vacas que param de se alimentar, baixo consumo de MS em geral, alimentos muito úmidos, dietas baseadas em grandes quantidades de silagem de milho, dietas com alto teor de concentrados e manejo com alto teor de concentrados por refeição. Propilenoglicol é convertido em glicose no fígado, podendo prevenir cetose e formação de fígado gordo. O fornecimento de 0,5Kg/d deste produto na forma liquida para vacas com elevada concentração de corpos cetonicos no sangue (com base em teste de coloração da urina ou do leite) tem verificado resultados positivos a campo. A utilização de 0,1 a 0,25 Kg no concentrado ou na ração completa pode ser efetuada com o intuito de evitar a cetose, mas tanto a palatabilidade como os custos devem ser considerados.

Culturas e produtos de levedura podem estimular as bactérias utilizadoras de fibras, manter o PH ruminal estável e estimular a produção de Ácidos Graxos Voláteis (AGV).

Estes produtos podem manter as vacas com o consumo de MS em níveis adequados e são palatáveis. A quantidade adicionada varia de 10 a 115 g/vaca/d., dependendo da concentração de leveduras e da fonte do produto, a um custo de U$ 0,06(centavos de dólar)/dia.

Aplicações

Grandes rebanhos têm dietas específicas para vacas recém-paridas, agrupadas em separado por 2 a 3 semanas após o parto. Em estábulo do tipo "Tie-stall" 3 há possibilidade de suplementação especifica de um concentrado para vacas pós-parto, fornecendo nutrientes necessários a esta categoria e 2 a 3 Kg. de feno palatável de alta qualidade.

Manejo na ordenha


Equipe de Bovinocultura de Leite/FZEA-USP

A escolha do sistema

O tipo de sistema a ser utilizado deve levar em consideração:

-número de animais a serem ordenhados

-nível de produção dos animais

-tipo de leite a ser produzido

-qualidade da mão de obra

- investimentos totais a serem realizados

- custos operacionais a serem realizados

Tipos de ordenha

-Manual

-Mecanizada: balde ao pé, RST cirduito fechado, Tandem, espinha de peixe, poligonal, paralela ou rotatória.

Manual

Esse tipo de ordenha é largamente empregada no Brasil e é caracterizado por sua baixa eficiência e pela produção de um leite com alto grau de contaminação.

Mecanizada

Balde ao pé: sistema mais barato que se conhece. Possui eficiência de 15 vacas/homem/ hora com 2 baldes. No Brasil, devido à mão-de-obra ainda ser relativamente barata, é o sistema mais indicado para propriedades, com até 50 animais. Existem 3 tipos de Balde de Pé: no estábulo, na Sala de Ordenha e portátil.

Circuito fechado: também inidicado para rebanhos menores. Neste sistema, o leite no momento da ordenha é transportado por tubo de PVC. A velocidade é de 8 vacas/hora/unidade.

Sistema de tandem: esse sistema foi desenvolvido para os rebanhos maiores, de até 80 animais. o sistema mais comum é o "4x4"; apresenta um rendimento de 22 a 32 vacas/homem/hora. O manejo neste sistema é individual e a entrada e saída das vacas são controladas por meio de fotocélulas. Com o tandem um único profissional pode cuidar de 6 a 8 animais.

Espinha de peixe: é o sistema mais utilizado entre os criadores; apresenta um rendimento de 37 a 42 vacas/homem/hora no tipo "4x4"; os animais ficam posicionados em 45° em relação ao fosso, posição que facilita a visualização dos úberes e tetos; as vacas entram e saem em lote, sendo a maior desvantagem do sistema, pois as vacas devem ser manejadas em lotes de produção semelhante. Este sistema de ordenha é indicado para criatórios com até 300 animais.

Poligonal: considerada uma variação do espinha depeixe, os animais ficam na mesma posição. Com capacidade para 4 lotes, este sistema é mais indicado para os criadores que desejam instalar máquinas maiores e desenvolver um trabalho mais racional dentro do fosso.

Paralela: é indicada para propriedades que contenham de 300 a 1.000 animais, em que cada operador cuida sozinha de 12 a 30 unidades. Neste sistema as vacas ficam umas ao lado das outras e de costas para o fosso.

Rotatória: é o mais moderno de todos os sistemas de ordenha. Desenvolvido para atuar em fazendas com mais de 500 vacas, sua extensão máxima atendem até 60 unidades. Nesse sistema, o ordenhador cuida de 30 vacas e são ordenhados 120 animais/hora.

Higiene

Práticas higiênicas inadequadas prejudicam a qualidade do leite, predispõem a ocorrências de mastite, que ocorre, na maioria das vezes, por penetração de microorganismos através do canal da teta. As medidas higiênicas visam evitar esse acesso. A higiene, portanto, é a palavra chave no controle da mastite.

Para obtenção de leite de melhor qualidade e para prevenir e/ou reduzir a níveis toleráveis as infecções da glândula mamária do rebanho, uma vigilância constante deve ser dirigida ao manejo e ordenhadores.

No curral e sala de ordenha

As instalações como sala de ordenha e curral de espera, por onde circulam os animais antes, durante e após a ordenha, devem ser mantidas limpas e secas, para evitar a multiplicação de microorganismos. Na limpeza diária, recomenda-se remover as fezes para evitar a proliferação de moscas e lavar em seguida com água corrente de boa qualidade.

Mensalmente deve-se fazer, após a limpeza do local, a desinfecção com cal virgem ou soluções à base de cresóis na concentração de 1%.

Com os utensílios

Os utensílios de ordenha, tais como baldes e latões devem ser limpos e desinfetados. A limpeza é feita nos intervalos da ordenha, de preferência com água quente ou morna, utilizando detergente biodegradável e desinfetante apropriado.

Uma solução de 5 a 10 ppm de cloro ativo (1ml de solução de hipoclorito de sódio, contendo 10% de cloro ativou de água), é eficaz após 5 a 10 minutos de contato.

Após serem lavados e enxaguados, os utensílios devem ser mantidos destampados e de boca para baixo até secarem por completo.

Onde se usa ordenha mecânica, a limpeza adequada e a manutenção, de acordo com as recomendações do fabricante, são essenciais para prolongar a vida útil do equipamento e ajudar na prevenção de mastite. A limpeza da ordenhadeira com substâncias apropriadas e na concentração indicada pelo fabricante compreende três fases:

Pré-lavagem: deve ser feita com água fria, e tem como finalidade remover os resíduos de leite que se aderem ao equipamento;

Lavagem principal: utiliza-se uma solução de limpeza apropriada a equipamentos de ordenha (detergente alcalino) em água aquecida a 50-60ºC deixando o conjunto funcionar por 15 minutos para remover todo o resíduo.


Enxágüe final: é realizado com água fria em abundância, para remoção completa da solução de limpeza, mantendo-se o conjunto funcionando por 5 minutos.

Uma vez por semana ou a cada 15 dias, inclui-se antes da lavagem principal um detergente ácido, específico para ordenhadeiras mecânicas, além do detergente alcalino e em seguida, enxagua-se com água.

Com os animais

Antes da ordenha: as tetas devem ser lavadas com água potável corrente, removendo-se a sujeira e enxugando-as com toalha de papel descartável.
Realizar o teste da caneca de fundo preto, pois além de permitir a identificação dos casos de mastite clínica em sua fase inicial, evita a contaminação do ambiente com os primeiros jatos de leite.

Após a ordenha: as tetas devem ser imersas em solução à base de iodofor ou de iodo glicerinado.

Estabelecer linha de ordenha quando for detectado algum animal com mastite, sendo que estas deverão ser ordenhadas por último, desinfetar o canal da teta em solução de iodo glicerinado, antes de aplicar o medicamento e massagear o quarto teto medicado para dispersar o remédio.

Os remédios deverão ser baseados em exames de antibiogramas.

Anatomia e fisiologia da úbere



Equipe de Bovinocultura de Leite/FZEA-USP

Anatomia de úbere

Canal galactóforo; Cisterna; Canais lactíferos; Tecidos Glandulares; Veias; Artéria; Gânglio linfático.

Fisiologia da glândula mamária

O desenvolvimento da glândula mamária ocorre em várias fases:

- Recém-nascido (hormônios maternos) pré-puberal;
- Puberal (hormônios ovarianos, principalmente);
- Cíclico (estrogênio e também progesterona);
- Gravídico (estrogênio e progesterona da gestação)

Fatores do desenvolvimento da glândula mamária de maneira geral, pode-se dizer que os estrogênios desenvolvem os dutos da glândula mamária, enquanto o progesterona promove o desenvolvimento dos alvéolos. A glândula mamária desenvolve quando:

- não amamenta;
- após a castração;
- na menopausa.

Como se produz o leite

Fases de secreção (produção) da glândula mamária a produção do leite se inicia pela ação da prolactina da hipófise anterior, que estimula diretamente as células produtoras do leite dos alvéolos da mama. Leite é sangue transformado; nasce no úbere (composto por quatro glândulas mamárias que transformam componentes sanguíneos em alimento). O úbere é dividido em quatro partes, correspondendo cada uma a um teto. Vazio, o úbere pesa cerca de 15kg, podendo comportar até + ou- 40 kg de leite. Para cada litro de leite produzido, passa pela glândula mamária cerca de 300 a 500litros de sangue, portanto, uma boa vaca leiteira deve ter o úbere muito bem irrigado pela rede sanguínea.

Logo após o parto, a desinibição da hipófise anterior pela queda dos estrogênios e progesterona circulantes, leva a um aumento abrupto da secreção de prolactina que, agindo sobre a glândula mamária plenamente desenvolvida pelos hormônios da gestação, irá promover a produção do leite. A manutenção da produção normal do leite, depende da produção de prolactina, do hormônio de crescimento, pequena quantidade de estrogênio presente , do funcionamento da tireóide, da supra renal e do sistema nervoso. E necessária ainda uma alimentação adequada e ausência de doenças em geral.

A amamentação e o esvaziamento da glândula mamária são os fatores estimulantes da produção de prolactina. O não esvaziamento adequado da glândula implica na cessação da produção do leite. A produção do leite também poderá ser suspensa mediante a administração de doses elevadas de estrogênios, que impedirão a secreção de prolactina pela hipófise.

A expulsão do leite

Ao se iniciar e durante o ato de mamar, a sensação táctil gera estímulos, que por via nervosa, vão até o SNC (sistema nervoso central) estimulando o hipotálamo a produzir e a hipófise posterior a liberar ocitocina para a circulação. Esta, na glândula mamária, provoca a contração das células mioepiteliais dos alvéolos e a musculatura lisa dos dutos, propulsionando o leite ali formado na cisterna da mama. A compressão dessas cisternas provoca a saída do leite.

Sob a ação o ocitocina, a canulação das cisternas faz o leite jorrar espontaneamente. Em alguns casos, isto ocorre mesmo sem a canulação. A prolactina também é secretada sob controle do arco reflexo descrito.

Fenômenos relacionados com o ato de mamar, o mugido do bezerro, os ruídos do balde de ordenha, etc, podem desencadear o reflexo, que por sua vez também pode ser abolido por diversos fatores, como susto, a substituição de um ordenhador por outro, etc., através da liberação do hormônio adrenalina.

Equipe de Bovinocultura de Leite/FZEA-USP


A produtividade média do rebanho brasileiro é tão pequena quanto o lugar que o país ocupa entre os países produtores do mesmo. A produção de leite no país é menor que a demanda pelo produto. Este fato pode ser devido a vontade do consumidor de antigamente, que queria leite barato, não de boa qualidade.
Visando a redução de custos e riscos, muitos produtores investiram em rebanhos de dupla aptidão (produção de leite e carne), uma vez que o preço do leite e da carne são inversamente proporcionais. Resultado: baixa produtividade de ambos. O produtor também não se especializou, pois não tem o leite como principal atividade, na maioria dos casos. É como se fosse uma produção para subsistência. Além disso, o grande número de propriedades existentes (pequenas propriedades) dificulta a formação de associações capazes de representar os produtores com o mínimo de eficácia.
Para ocorrer a modernização do setor, seria certa a redução do número de produtores, porém isso teria um alto custo social, a não ser que a economia estivesse em crescimento para absorver tanta mão-de-obra.