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terça-feira, 7 de agosto de 2007

Gir Leiteiro


Criar e Plantar

Generalidades

A raça gir leiteira originou-se na região de Gir, Península de Kathawar, na Índia, em 1953. A entrada das raças zebuínas no Brasil ocorreu em meados do século XVII até a década de 60; é provável que o gir tenha chegado por volta de 1906. A princípio foram importados animais da região do Rio Nilo, ao norte da África, em seguida da África Ocidental (Senegal, Guiné e Congo) e, finalmente da Índia.

No início das importações mais expressivas das raças indianas, destacou-se a atuação do criador brasileiro Teófilo de Godoy, que tendo feito várias viagens à Índia, entre 1893 e 1906, incentivou outros criadores.

Características

O gir leiteiro, como define o próprio nome, foi adaptado para maior produção de leite, índole natural da raça. A produção leiteira da raça é controlada oficialmente assim com genealogias registradas na ABCZ -Associação Brasileira dos Criadores Zebu; um controle independente distingue do gir de corte.

Todo gir produz leite, mas o leiteiro está em processo contínuo aperfeiçoamento por várias gerações, com produções aferidas que permitem distinguir os animais pelo desempenho, não por indicativos subjetivos do que poderá ser ou produzir. O que determina o valor de um animal, de maneira a prever sua capacidade de melhorar o rebanho, é o conhecimento do nível de produção de sua linhagem, como bisavós, avós, pais, irmãos e filhos.

Os níveis de produção do gir leiteiro apresentam produtividade mais do que adequada para o clima brasileiro e condições de criação, existindo variabilidade genética capaz de sustentar um programa de seleção visando o melhoramento. A percentagem de gordura é alta (em torno de 5%).

A persistência da lactação não é problema nestes rebanhos, com vacas produzindo leite além de 305 dias. Sua produtividade média (3.233 kg) torna possível manter o rebanho com níveis de suplementação mínima, com possibilidade de ser mantida apenas com manejo em pastagens melhoradas. No período da estação seca, as vacas não apresentam queda na produção de leite, desde que atendidas em termos de exigência nutricional mínima para seus níveis de produção. Os animais são extremamente dóceis, de boa índole e lida fácil, facilitando o esquema de criação confinada.

As vacas gir se adaptam facilmente à ordenha, mesmo aquelas mais velhas, que foram criadas no sistema de cria ao pé. O bezerro é facilmente criado, com aleitamento artificial usando mamadeira ou com acesso a um dos peitos durante ou após a ordenha. As vacas gir permitem, sem restrição, a utilização de ordenharia mecânica.

O gir leiteiro expressa seu potencial produtivo com menos alimento e sofre menos com a restrição alimentar, pois sua exigência, seu índice de metabolismo e de ingestão de alimentos é mais baixo em relação às raças taurinas, sendo necessário menor reposição alimentar.

Padrão da raça

O gir leiteiro além de ser extremamente dócil, com aptidões para o leite e carne, caracteriza-se por apresentar perfil convexo e ultra-convexo, testa proeminente, com chifres laterais freqüentemente retorcidos, barbela desenvolvida e com pelagens das mais variadas, podendo apresentar pêlos brancos, vermelhos, amarelos e pretos em combinações muito variadas.

Uso no cruzamento

O gir leiteiro tem sido preferido para cruzamentos com as raças européias especializadas, tais como a holandesa, jersey e pardo-suiço, sendo utilizada, inclusive, na formação do mestiço leiteiro brasileiro, reconhecido como raça a girolanda.

O gir mocho, bem como os demais mochos, devem ter sido originados a partir de cruzamentos de animais da raça gir com aqueles da raça mocha nacional existentes, sobretudo, em Goiás, que por sua vez tem suas origens ligadas aos primeiros animais taurinos introduzidos no país.

Através de um processo de seleção, para as características produtivas do gir, acabou-se por modelar dois tipos distintos na raça, separando-o no sentido mais próximo do ideal para o gir carne ou gir leite. O gir não formou variedades diferentes na raça, mas sim aptidões de produção desiguais. Os criadores de gir leiteiro dão ênfase na seleção para o leite, enquanto que para o gir de corte está para as características raciais.

Produtividade de leite

O gado gir leiteiro sob controle oficial apresenta produção média de 3.233 kg, índice que está 290% acima da média nacional. As médias das produções de leite de 15.846 lactações controladas pela ABCZ revelam avanços contínuos. De 1964 a 1977 houve ganho de 69,0%, em 13 anos, com aumento de 1.148 kg. Em 1988 apresentou aumento de 21 kg em relação a 1977; de 1988 a 1998 houve aumento de 410 kg na média das vacas, com ganho de 14,52%.

O aparecimento nos rebanhos de vacas gir de elevada capacidade leiteira evidencia existência de potencial genético, chegando a 13.000 kg e produção de 44 kg.

Melhoramento genético

As possibilidades atuais e futuras da pecuária, com base no zebu, são inquestionáveis, dada sua importância na estrutura genética da população de bovinos e destaque dos rebanhos elite, havendo interesse de muitos países em utilizar este material genético. Aliado a isto, o melhoramento genético animal vem se modernizando aceleradamente no Brasil.

Na bovinotecnia vem sendo implementados diversos programas comerciais com metodologia moderna de avaliação e de melhoramento genético. É a avaliação genética da funcionalidade, e não a forma do animal, que determina o preço dos reprodutores, do sêmen e dos embriões. Cada vez mais o mercado exige qualidade genética, avalizada pela tecnologia moderna e não apenas pela propaganda. Destaca-se a tecnologia moderna aliada a organização.

Doenças infecciosas



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Brucelose (zoonose)

Causa: é causada pela bacteria Brucella abortus.
Sintomas: causa aborto no final da gestação (aproximadamente no 8º mês), mas a partir da Segunda gestação apresenta imunidade, ou seja, não aborta na terceira vez, mas continua transmitindo a doença. Nos touros, causa orquite (inchaço dos testículos), podendo levar a fibrose dos mesmos. É uma doença infecto-contagiosa e transmissível ao homem.

Meios de cura e prevenção: os animais positivos na prova de sorologia devem ser sacrificados, e a vacinação deve ser feita nas bezerras entre 4 e 8 meses de idade. Os restos placentários são altamente infecciosos tanto para outros animais quanto para o homem, portanto, tomar os devidos cuidados na manipulação deles.

Obs: se o animal não for vacinado até o 8º mês, não vacine mais, pois poderá mascarar a doença, devendo o animal ser abatido.

Tricomonose

Causa: Trichomonas foetus, um protozoário.
Sintomas: nos touros forma reservatório no prepúcio, sem sinais aparentes. Nas vacas causa esterilidade temporária com inflamação catarral no útero, causando aborto até o 4º mês de gestação (sem retenção de placenta), esterilidade temporária, irregularidades no cio, podendo apresentar imunidade por 2 a 3 anos e sofrer nova infecção. É uma doença sexualmente transmissível (DST) e contagiosa
Meios de cura e prevenção: utilização de inseminação artificial; eliminação dos animais positivos, controle do estado sanitário dos machos reprodutores. As fêmeas infestadas que não foram descartadas, devem ficar em repouso sexual por no mínimo 3 meses

Campilobacteriose (vibriose):

Causa: Vibrio fetus.
Sintomas: não apresenta, entretanto nos touros forma reservatório no prepúcio e nas vacas causa aborto no 5º ao 6º mês de gestação, ciclos estrais longos e irregulares (+ou- 25 dias). É uma doença sexualmente transmissível (DST) e infecto contagiosa.
Meios de cura e prevenção: idem a anterior

IBR

É uma doença importada, pode ser detectada na vagina que fica ulcerada (pequenas feridas); causa aborto.

Colibacilose ou curso branco

Causa: E. Coli; na 1º semana de vida.

Sintomas: Diarréia branco-leitosa, emagrecimento progressivo, apatia e até morte;
Meios de cura e prevenção: Antibióticos e Quimioterápico específicos; higiene e desinfecção do umbigo.

Onfaloflebite (umbigueiro)

Causa: Diversas bactérias;

Sintomas: inflamação do umbigo que aparece nos primeiros 15 dias de vida e apresenta sinais da inflamação local, como inchaço e aumento da temperatura.
Meios de cura e prevenção: limpeza do local e aplicação de tintura de iodo. Logo após o parto, deve-se aplicar tintura de iodo no umbigo, e manter as instalações limpas e com controle de moscas.

Pneumonias

Causa: Vários micro organismos como Mycoplasma mycoides, Pasteurella sp e o vírus da Parainfluenza;

Sintomas: febre alta e fraqueza que atinge principalmente bezerros.
Meios de cura e prevenção: Antibióticos específicos. A
umidade deve ser evitada (trocando a cama sempre que necessário), assim como ventos frios. É importante garantir ingestão de colostro e manter os animais bem nutridos. Deve-se também evitar usar camas e rações que produzam muito pó.

Paratifo (Pneumoenterite)

Causa: a bactéria Salmonella dublin

Sintomas: Diarréia intensa (amarelo acinzentado), febre alta, emagrecimento e morte. Pode aparecer
do 15º dia ao 4º mês de vida.
Meios de cura e prevenção: Não há cura, e deve-se
vacinar a vaca no 8º mês de gestação e o bezerro aos 15 dias de vida.

Febre aftosa

Causa: Vírus

Sintomas: Febres, aftas na boca e mastites que aparecem em qualquer idade. Os animais perdem apetite, apresentam mastigação lenta e dolorosa e salivação profunda.
Meios de cura e prevenção: Não há cura, e a
vacinação semestral do rebanho a partir dos 4 meses de idade é obrigatória.

Carbúnculo Sintomático (manqueira)

Causa: Crostidium chauvoei

Sintomas: Tumores e inchaços nos membros, principalmente dos posteriores e morte. Atinge principalmente animais de 4 a 12 meses de idade.
Meios de cura e prevenção: Não há cura, e
é obrigatória a vacinação dos animais aos 4 meses de idade, com reforço aos 18 meses.

Carbúnculo Hemático

Causa: Bacillus anthracis;

Sintomas: Morte súbita com hemorragias nas aberturas naturais, aparece em qualquer idade.
Meios de cura e prevenção: Não há cura, e a
vacinação deve ser feita em locais onde houver ocorrência da doença, uma vez ao ano.

Babesiose/Anaplasmose

Causa: (B. Bigeemina, B. Bovis e B. Argemtina) (A. Marginale e A. Centrale)

Sintomas: Febre falta de apetite, anemia, icterícia e apatia. Aparece em qualquer idade.
Meios de cura: Antibióticos e quimioterápicos específicos.
Meios de prevenção: Boa nutrição dos animais, controle de carrapatos através de pulverização periódica, pré-imunização de animais que venham de áreas sem a doença.

Verminoses

Causa: Endoparasitas;

Sintomas: Emagrecimento, apatia, anemia profunda;
Meios de cura: Vermífugos específicos em doses curativas;
Meios de prevenção: Vermífugos específicos em doses preventivas.

Raiva

Causa: Vírus Neurotrópico
Sintomas: Paralisia de membros, apatia, isolamento do grupo, salivação intense e incoordenação.
Meios de cura e prevenção: Vacinação de todo rebanho nas regiões de incidência de morcego hematófago, uma vez por ano a partir de 4 meses de idade.

Doenças hereditárias


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Free-martin

Definição: toda fêmea nascida de uma gestação gemelar de macho e fêmea, onde ocorreu anastomose dos vasos coriônicos (divisão de vasos, ocorrendo troca de sangue entre macho e fêmea).

Causa: o hormônio masculino do irmão gêmeo, a testosterona, vai interromper o desenvolvimento dos órgãos diferenciais da fêmea.
Sintomatologia: grande crescimento de pêlos na comissura vulvar inferior, clitóris muito desenvolvido (hipertrofiado), esterilidade.
Meios de cura e prevenção: eliminar os produtos de gestação gemelar casal e avaliar os pais.
Observação: Na gestação gemelar casal é normal ocorrer aborto, ocorrer natimortos, retenção da placenta em mais de 50% dos casos, causando metrite e parto distócico (parto difícil).

Hipoplasia testicular

Definição: subdesenvolvimento anatômico e funcional das glândulas masculinas, mais freqüentemente nas raças leiteiras.
Causa: a) Congênita: gene recessivo de penetração incompleta;
b) Degeneração Testicular: problemas nutricionais quando jovem e enfermidades.
Sintomas: testículos de tamanhos diferentes (pequenos e de consistência flácida).
Diagnóstico: exame da bolsa escrotal.
Meios de cura e prevenção: eliminar os animais portadores da anomalia congênita.
Observação: Estes machos apresentam baixa eficiência reprodutiva, sêmen de baixa qualidade.

Criptorquidismo

Definição: o testículo não migra para a bolsa escrotal permanecendo na cavidade abdominal.
Causa: Hereditária, porém alguns casos são hormonais.
Sintomas: a doença pode apresentar-se unilateralmente (roncolho), onde somente um testículo fica na bolsa escrotal, ou bilateralmente, onde há ausência de testículos na bolsa escrotal.
Meios de cura e prevenção: eliminar os animais criptorquidicos unilaterais.
Observação: animais criptorquidicos apresentam baixa eficiência reprodutora e sêmen de baixa qualidade.

Parasitas


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Carrapatos

Há várias espécies de carrapatos, que se localizam por toda a parte externa do corpo do animal, amplamente distribuídos. Algumas espécies podem produzir dores fortíssimas e serem vetores de várias doenças, como a tristeza parasitária dos bovinos, anaplasmose, febre maculosa das montanhas rochosas, febre Q, tularemia, babesiose, prejudicando o animal, deixando-o debilitado e, caso alguma doença seja adquirida pelo rebanho, há défict na produção e até morte.

Causam irritação, anemia, perda de peso, desenvolvimento precário, ulceração, obstrução da orelha (surdez), distúrbios digestivos e nervosos. Carrapatos adultos são facilmente reconhecidos na pele do animal, porém os filhotes e os parasitas pequenos ficam escondidos no subpêlo. A única forma de mata-los e prevenir-se contra eles é o banho carrapaticida e uso de outras substâncias químicas. As pulverizações devem ser feitas com cuidado e de forma adequada (ver Princípios de enfermagem) .

Ácaros

Localizam-se na pele do hospedeiro, algumas espécies preferindo áreas de pelagem escassa e outras preferindo regiões de pelagem densa. Causam sarnas, danos na pele com défict na produção de couro,podendo levar à morte. Alimentam-se de restos de pele e linfa, entram nos folículos pilosos e glândulas sebáceas, causando inflamação crônica, espessamento da pele e perda de pêlo. Nas feridas penetram bactérias, o que piora o estado dos abcessos e nódulos. A perfuração da pele causa escorrimento de fluido, formando crostas. Também surgem dermatite, prurido e arranhões. O controle deste parasita é feito com banhos acaricidas, pulverizações, banhos e imersões.

Piolhos

Encontrados com mais freqüência nas partes protegidas da pele, como parte lateral do pescoço, dorso, peito, entre os membros,base da cauda e cabeça. Algumas espécies atacam locais com temperatura mais fria, disseminando-se com mais facilidade no inverno. Já outras disseminam-se em todas as regiões do mundo.Quando presentes em grande número, podem danificar o desenvolvimento dos animais, acarretando perdas. A irritação causada nos animais prejudica a alimentação e o sono. O coçar produz feridas e torna a pele áspera. Se a infestação for grande, pode ocorrer anemia, deixando os animais susceptíveis a doenças. O diagnóstico é feito apenas pela observação. O controle é feito por pulverizações, pós, banhos e inseticidas.

Moscas

Vivem em feridas sobre a pele, podendo depositar ovos sobre os pêlos, vivendo as larvas no tecido subcutâneo. Causam sérios abcessos, que devem ser tratados.As larvas digerem os tecidos, expandindo a lesão e deixando o animal susceptível a infecções diversas. A morte ocorre com freqüência, ocorrendo perda da qualidade do couro para exploração comercial, aumentando os prejuízos. As feridas têm odor pútrido, liberando líquido de cheiro desagradável. O diagnóstico é feito pela presença de larvas nas feridas, por nódulos dolorosos, presença de ovos sobre o pêlo, remoção das larvas e exame. Como tratamento deve ser feita curetagem do tecido necrosado e higienização do local. As afecções causadas por moscas são conhecidas por bicheira ou berne e podem ser evitadas com imersões, banhos, inseticidas e agentes químicos diversos.

Sempre deve-se lembrar que o tratamento de qualquer enfermidade deve ser feito pelo médico veterinário responsável pela propriedade, de preferência alguém que já faça acompanhamento dos animais e esteja ciente da situação da fazenda. Medicações sem aval do veterinário só devem ser ministradas em caso de extrema emergência, enquanto o médico veterinário não chega ao local. Se possível, deve-se evitar medicação sem prescrição.

Aparelho digestivo


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O que difere os ruminantes dos demais animais é o fato de serem poligástricos, ou seja, possuem quatro estômagos, chamados rúmen, retículo, omaso e abomaso. O tamanho de cada um varia no decorrer da vida do animal. Na primeira mastigação ocorre a trituração dos alimentos e a ensalivação. Em média, o bovino libera de 50 a 60 quilos de saliva por dia. Quando os alimentos fornecidos são fluidos, a salivação torna-se fraca, o conteúdo do rúmen, então, torna-se viscoso e o gás resultante a digestão causa a aparição de espumas, surgindo a indigestão gasosa ou espumosa, característicos da meteorização.

Esses animais são altamente adaptados para a digestão de celulose, tornando-se completamente herbívoros quando adultos. Os alimentos mastigados e engolidos são armazenados no retículo , onde ocorre sua maceração e trituração , para voltarem à boca e serem mastigados novamente, processo chamado de ruminação.

No rúmen há milhares de microorganismos, responsáveis pela digestão da celulose contida nos vegetais ingeridos e pela formação de ácidos voláteis. Percebe-se, que o aparelho digestivo dos ruminantes possui adaptações para tornar viável a sobrevivência desses microorganismos. Portanto, qualquer variação na alimentação pode modificar a colônia de bactérias, alterando a digestão do animal e podendo leva-lo a ter alguma doença. No folhoso a água do bolo alimentar é absorvida para que no coagulador ocorra o ataque do suco gástrico e a digestão propriamente dita. O suco gástrico é constituído principalmente por água, sais minerais, ácido clorídrico e pepsina ( uma proteína com ação enzimática).

A partir daí, a digestão ocorre como em qualquer outro animal, com a absorção das substâncias pelo intestino delgado e absorção de água pelo intestino grosso, com a produção das fezes ( resíduos alimentares não aproveitados).

Como os microorganismos residentes no estômago bovino estão constantemente reproduzindo-se e morrendo, eles também são digeridos. Na passagem de uma cavidade digestiva para outra há barreiras que impedem a passagem de bactérias vivas, o que poderia causar alguma patologia grave no animal.

Características ideais do animal leiteiro


Equipe de Bovinocultura de Leite/FZEA-USP

Características exteriores do bovino de leite:

O tipo ideal pode ser definido como uma norma de perfeição que combina as características físicas que contribuem para a utilização de um animal para o propósito específico.

As diferentes partes exteriores da vaca leiteira recebem denominações especificas. Para facilitar a avaliação do animal, considerando-se que o ponto de partida é o tipo ideal, agrupa-se diversas partes em grandes regiões, as quais são:

- aparência geral;
- temperamento leiteiro;
- capacidade corporal;
- sistema mamário.

Desta forma podemos avaliar as diferentes regiões as quais devem apresentar as seguintes características:

- o animal leiteiro deve ter a pele solta (flácida);
- o animal leiteiro não deve ter acúmulo de gordura no peito, dorso e anca;
- quando a vaca estiver seca o úbere deve estar pregueado (indica capacidade produtiva);

Deve revelar o aspecto de "feminilidade" da vaca leiteira e as partes que compõem são:

Características da raça que devem ser consideradas

Cor

Dentro dos padrões da raça. Ex.: no caso da vaca holandesa, deve apresentar manchas brancas e pretas claramente definidas;

Tamanho

Atingir o tamanho médio da raça. Ex: vaca holandesa em produção deve pesar aproximadamente 600Kg de peso vivo (PV);

Chifres

Não discriminação por ausência;

Cabeça

Bem constituída, proporcional ao corpo, narinas amplas, olhar vivo;

Paletas

Fortemente unidas

Dorso

Reto e forte, com lombo amplo;

Anca

Larga e bem modelada, sem excesso de gordura, quase nivelada, implante da cauda suave e nivelada com a linha dorsal;

Pernas e cascos

Osso plano e forte, de quartela pequena e forte com jarrete modelado, apresentando curvatura natural, cascos redondos com talão profundo.

Pescoço

Largo, descarnado e unido suavemente ao tórax; garganta, papada e peito descarnados.

Cernelha

Aguda, costelas bem separadas com osso amplo, plano e profundo formando um aspecto de "cunha" com o tórax do animal.

Flanco

Profundo e refinado, formando um aspecto de "cunha" com o corpo do animal, tendo como base à cabeça.

Nádegas

Bem separadas e descarnadas, deixando espaço suficiente para o úbere e seus ligamentos.

Capacidade corporal

Relativamente grande em proporção ao tamanho do animal, as partes que se compõe são:

Costado

Forte, largo e profundo, apresentando costelas arqueadas.

Ventre

Amplo.

Tórax

Grande e profundo, com peito amplo.

Sistema Mamário

Úbere fortemente implantado, bem balanceado, de grande capacidade e boa textura, indicador de alta produção e grande vida útil, as partes que o compõe são:

Úbere

Simétrico de longitude, amplitude e profundidade moderada, fortemente aderido, reduzindo após ordenha; quando a vaca estiver seca o úbere deve estar pregueado.

Quarto dianteiro

De comprimento moderado, amplitude uniforme desde a frente até atrás e fortemente aderido.

Quarto traseiro

Alto, amplo e ligeiramente arredondado, com boa uniformidade desde cima até a base e fortemente aderida.

Tetas

Tamanho uniforme, com aproximadamente 10cm, de longitude e diâmetro mediano, cilíndricos, bem separados, apresentando um aspecto de "quatro pés de uma mesa de bilhar".

Veias mamárias

Grandes, largas, tortuosas e ramificadas.

Manejo reprodutivo



Equipe de Bovinocultura de Leite/FZEA-USP

Sistemas de Cobertura

- Existem dois sistemas: o natural e o artificial.

- O sistema de cobertura natural apresenta duas modalidades: uma a campo e a outra controlada.

- A cobertura natural a campo é a mais empírica que existe, pois o touro fica a vontade com as vacas, ocorrendo excessivas coberturas em uma mesma fêmea e muitas delas em momentos inadequados. Neste caso, a relação touro x vaca é de 1:25.

- A cobertura natural controlada é um sistema mais eficiente que o anterior, pois o touro fica num piquete separado das vacas e a fêmea no cio é levada ao reprodutor para a cobertura. O touro não executa grande número de coberturas em uma mesma fêmea, efetuando as coberturas em momento adequado, permitindo manter-se no sistema uma relação touro x vaca de 1:50. Neste sistema fica mais fácil controlar a fertilidade dos touros, além de se conhecer a paternidade da progênie.

- O sistema de cobertura artificial refere-se à inseminação artificial. Neste método, ocorre a interferência do homem na reprodução, não ocorrendo a cobertura, e sim a introdução do sêmen no aparelho reprodutor de fêmea, com a ajuda de instrumentos e técnicas adequadas, em condições de fecundá-la. A técnica utilizada em bovinos é a retro-cervical profunda. Quando o homem deve fazer a inseminação? Quando a vaca estiver no 1/3 final do cio.

A idade zootécnica para a inseminação é de 16 meses, sobrepondo-se a idade o "score corporal", que é a condição corporal de peso vivo, este deve ser ideal quando a vaca pesar 375 kg de P.V. (peso vivo) .

Serve também para a cobertura natural controlada. Neste momento, aumenta a probabilidade de concepção. Por isso é fundamental que ocorra a detecção do cio. Os sintomas de cio são modificações psicossomáticas na vaca.

Sintomas de cio

- a vaca vai apresentar monta e deixa-se montar pelas companheiras;
- a vaca fica inquieta;
- a vaca apresenta micção freqüente;
- a vaca apresenta a vulva tumefeita e congestionada;
- a vaca apresenta corrimento vaginal cristalino; quando este mesmo corrimento apresenta-se turvo ou purulento, pode caracterizar problemas de infecção, devendo intervir com tratamento adequado, prescrito por veterinário;
- a vaca aceita espontaneamente o macho;

Aproximadamente 50% das vacas apresentam um cio na parte da manhã. É necessário observar o cio pelo menos duas vezes ao dia. Nem sempre a fêmea apresenta o cio com todas as sintomatologias, tendo o cio silencioso; neste caso, a vaca apresenta corrimento que se adere à cauda.

O ciclo estral dos bovinos é de 21 dias, tendo o cio duração de 14 a 18 horas; a ovulação ocorre 12 a 14 horas após o término do cio, ficando o momento adequado para a cobertura no 1/3 final do cio (12 horas). O espermatozóide tem capacidade fecundante de no máximo 24 horas.

Ocorrendo o cio pela manhã, faz-se a cobertura na parte da tarde e vice-versa. O cio dos Taurinos é mais longo do que o cio dos Zebuínos, por isso, quando se faz cobertura natural controlada, coloca-se a fêmea zebu com o macho no período da manifestação do cio e reforça a cobertura no período posterior (se a vaca zebu manifesta o cio pela manhã, coloca com o macho pela manhã e novamente à tarde).

Rufião: é um touro vasectomizado, utilizado para marcar as vacas no cio ele permanece junto com as vacas o tempo inteiro. O animal é provido de um "busal marcador" que risca a anca das vacas montadas. Este sistema de detecção é mais fácil de trabalhar, mas ocorre a penetração na vaca, podendo ocorrer transmissão de doenças. No caso do animal de elite, o rufião é submetido a um desvio de pênis.

Avaliação Reprodutiva do Touro

Na pecuária bovina, o macho é acasalado com um grande número de fêmeas. Por isto, o uso de touros de baixa fertilidade, inférteis ou de qualidade genética inferior, pode acarretar sérios prejuízos aos criadores, levando a um maior intervalo entre partos das vacas e ou produção de filhos de baixa qualidade.

A substituição de reprodutores, de um modo geral, tem por objetivo:

- evitar consangüinidade;
- melhorar a qualidade genética do rebanho;
- melhorar a eficiência reprodutiva do rebanho;
- fins comerciais (lucros).

Antes da aquisição de um reprodutor deve-se definir a raça e o grau de sangue, em função da qualidade ou tendência racional do rebanho existente e da finalidade a que se propõe. É importante considerar, também, a região e condições de manejo da propriedade.

Muitos criadores são ludibriados na compra de um reprodutor, ao confiar na afirmativa do vendedor de que se trata de um animal provado. A prova de um reprodutor se faz através do "teste de Progênie" (única forma de garantir a qualidade genética do reprodutor), porém, o Brasil é carente em provas de teste de progênie. Assim sendo, na impossibilidade deste resultado deve-se levar em consideração uma avaliação do reprodutor, com relação aos seguintes aspectos:

- condição corporal;
- fertilidade;
- sanidade.

Condição corporal:

É o aspecto do reprodutor e é muito importante, principalmente se há necessidade de seu uso imediato, uma vez que o animal magro ou fraco pode apresentar uma baixa produção e ou qualidade dos espermatozóides. A compra de um reprodutor é quase sempre efetuada em função do tipo do animal (aspecto externo), sem nenhuma informação complementar capaz de auxiliar na sua avaliação. Este procedimento conduz a erros. Tem-se conhecimento de reprodutores usados com finalidade leiteira, de extrema beleza nas características externas (altura, peso e conformação), cujas filhas se caracterizam por baixa produção de leite e peso elevado (situação comum na aquisição de touros Gir para obtenção de mestiços leiteiros).

É muito importante analisar também a coordenação Motora do animal:

A caminhada em piso de grama ou cimento permite observar se o animal apresenta defeitos de aprumo e incoordenação dos movimentos (andar cambaleando ou manqueira). Touros com problemas de casco, membros, articulações e ou coluna podem apresentar dificuldades para montar na fêmea.

Fertilidade

- Comportamento sexual:

O reprodutor colocado junto a uma fêmea em cio permite as seguintes observações:

- Desejo sexual (libido): o desejo sexual é avaliado pelo tempo que o animal demora a se exercitar e saltar. O salto deve ser imediato ou em até 20 minutos. E importante saber que os machos da raça zebuína são por natureza mais vagarosos ou lentos. Cansaço ou esgotamento devido ao manejo incorreto pode acontecer.

- Ereção e exposição do pênis: comprometida por aderência, processos inflamatórios dolorosos ou verrugas (papilomas) na glande ou corpo do pênis.

- Introdução do pênis na vagina: em casos de fraturas, paralisia ou abscesso do pênis, os animais montam mas não conseguem introduzir o pênis na vagina da vaca.

É interessante ressaltar que o comportamento sexual; deve ser observado a uma distância regular do animal, pois, se o observador estiver muito perto, a sua presença poderá inibir o touro. Por outro lado, se o observador estiver muito longe, pode-se comprometer a observação.

Obs.: Capacidade coeundi: é a capacidade de efetuar montas sem problemas físicos

- Defeitos nos órgãos genitais

- Prepúcio: pus junto ao pênis de abertura pode indicar presença de infecção; crescimento anormal dos tecidos junto ao orifício de entrada chamado de acrobustite (umbigueira). Nesses casos não é indicada a compra, por necessitar de tratamento específico e longo tempo de recuperação.

- Bolsa escrotal e testículos: na bolsa escrotal estão localizados os testículos. Sua pele não deve apresentar ferimentos, queimaduras ou vermelhidão, que podem ser indicativos de inflamação ou abscesso. Os testículos são responsáveis pela produção de espermatozóides, sendo por isto, de fundamental importância no processo produtivo. Os dois testículos devem ter pouca ou nenhuma variação de tamanho. Um testículo pode estar localizado um pouquinho mais alto que o outro ou ligeiramente inclinado para trás. O animal deve demonstrar sinal de dor quando se aperta ligeiramente está região. Algumas anormalidades podem ocorrer com os testículos, sendo perfeitamente percebidas, e as mais importantes são a falta de um ou ambos testículos, na bolsa escrotal, contra indicação a aquisição do animal.


- Mobilidade dos testículos: os testículos são normalmente móveis dentro da bolsa escrotal, podendo-se através de pressão, fazer subir um de cada vez sem maiores dificuldades. Em caso de aderência ou inflamações, esta mobilidade deixa de existir ou diminui, afetando o mecanismo termorregulador dos testículos e, conseqüentemente, a produção e a qualidade dos espermatozóides. Com relação à consistência deve ser firme, ou seja, não são duros nem moles (duro = calcificado, atrofia, fibrosos; mole = degeneração testicular).

O tamanho dos testículos é importante por estar relacionado com a concentração e normalidade dos espermatozóides. A diminuição do peso e volume pode ocorrer em um ou ambos testículos. Este detalhe tem grande importância em bovinos devido a sua possível origem genética. poderá ocorrer Hipoplasia Testicular; é quando sempre um testículo for menor que o outro (origem genética), e ou Atrofia Testicular, quando o testículo normal diminui de tamanho (adquirido). O importante é saber que em ambos os casos a compra é desaconselhável.

Ainda em relação ao tamanho dos testículos, é bom saber que ambos os testículos podem ter o mesmo tamanho, embora menores que o tamanho normal. Em touros acima de 30 meses de idade a medida do diâmetro da bolsa escrotal não deve ser inferior a 30cm.

- Qualidade do sêmen (espermograma): os testículos são muito mais sensíveis às alterações metabólicas (hormonais, bioquímicas, etc.) e do ambiente (frio, calor, etc.), que afetam bastante a produção e a qualidade dos espermatozóides.

Desse modo, qualquer alteração no trato genital do touro, independente de sua origem, resulta em menor fertilidade ou mesmo esterilidade.

A quantidade de sêmen (constatada pelo espermograma) constitui o fator mais importante e seguro para determinação da eficiência reprodutiva do touro. De um modo geral, a qualidade é baseada nos espermatozóides (presença, contaminação, relação vivos/mortos, tipos de patologia, etc.).

Indiscutivelmente para verificar a fertilidade do touro, o método mais seguro é efetuar o espermograma, porém, no campo, devido à dificuldade deste procedimento (falta de laboratórios), todos os aspectos aqui mencionados devem ser considerados na tentativa de se evitar a aquisição de um animal inadequado para a função.

Sanidade

Os testes para brucelose campilobacteriose, bem como a identificação de trichomonas, devem ser realizadas com a finalidade de se evitar a introdução destas doenças no rebanho. Além das doenças de reprodução, outras devem ser observadas: tuberculose, papilomatose (verrugas), aftosa, etc.

Avaliando a Matriz

Na escolha de matrizes, deve-se observar o potencial genético através da produção de leite, a fertilidade através do I.E.P. (intervalos entre partos), período de serviço (período que vai do parto até a concepção) e idade do primeiro parto, e a sanidade através de todos os testes negativos, além da verificação da presença de mastite (inflamação da glândula mamária) Devem-se considerar também os aspectos externos anteriormente citados.

Modelo - Ficha de Controle de Gado

Nº ......Nome.......................................Grau................Nascimento..../...../....

Pai .......................................Mãe ...............................Procedência............

Peso/nasc........kg Peso/210d.........kg Peso/365d........kg Peso/550d.........kg

Cobertura........./........../................. Touro...................................Natural........................

Diagnóstico da estação .......................................... Cria........../........./...........

Artificial..................

TE.........................

Macho....................

Fêmea...................

Cobertura........./........../................. Touro...................................Natural........................

Diagnóstico da estação .......................................... Cria........../........./...........

Artificial..................

TE.........................

Macho....................

Fêmea...................

Cobertura........./........../................. Touro...................................Natural........................

Diagnóstico da estação .......................................... Cria........../........./...........

Artificial..................

TE.........................

Macho....................

Fêmea...................

Cobertura........./........../................. Touro...................................Natural........................

Diagnóstico da estação .......................................... Cria........../........./...........

Artificial..................

TE.........................

Macho....................

Fêmea...................

Cobertura........./........../................. Touro...................................Natural........................

Diagnóstico da estação .......................................... Cria........../........./...........

Artificial..................

TE.........................

Macho....................

Fêmea..................

Cobertura........./........../................. Touro...................................Natural........................

Diagnóstico da estação .......................................... Cria........../........./...........

Artificial..................

TE.........................

Macho....................

Fêmea...................

Cobertura........./........../................. Touro...................................Natural........................

Diagnóstico da estação .......................................... Cria........../........./...........

Artificial..................

TE.........................

Macho....................

Fêmea...................

Cobertura........./........../................. Touro...................................Natural........................

Diagnóstico da estação .......................................... Cria........../........./...........

Artificial..................

TE.........................

Macho....................

Fêmea...................

Marca

Vacina

Data

Data

Data

Data

Data

Data

Data

Data

AFTOSA

AFTOSA

Carbúnculo

Brucelose

RAIVA

Botulismo

Leptosp

Vermifucação

Vermifucação

Antes de comprar um touro...

Algumas informações devem ser obtidas com outras pessoas da fazenda, já que o vendedor poderá colocar o interesse comercial acima da verdade. Caso o vendedor tenha grande reputação torna-se desnecessário. Para conseguir tais informações algumas perguntas podem ser formuladas:

1. Já possui filhas no rebanho? Quantas?
- elimina esterilidade;

2. As vacas cobertas por ele repetem muito cio?
- pequeno número de animais com retomo de cio, leva a suspeita de problemas com as fêmeas;
- grande número de retornos, possibilidade de o macho ser portador de algum problema;

3. Suas filhas têm problemas de falta de cio?
- Isto pode ser indicativo de problemas hereditários de fertilidade. Ex: hipoplasia ovariana;

4. Vacas que ele cobriu abortaram ou voltaram ao cio com intervalo maior que 30 dias?
- A resposta positiva pode sugerir presença de agentes infecciosos transmitidos pelos machos; Ex: Trichomonas, Campilobacter, Micoplasma, etc.

Obs: mesmo tendo dois ou mais touro no rebanho, é costume o criador destacar o touro como sendo o pai das melhores bezerras e novilhas ou vacas do rebanho, tendo em vista a importância de se conhecer a produção de suas filhas.